Pessoas que usam o cigarro eletrônico apresentam uma significativa alteração pulmonar, somado ao Coronavírus, essa união é uma verdadeira bomba, explica o médico Jefferson Medeiros da Universidade Estadual do Amazonas.

 

Em tempos de Coronavírus, cigarros convencionais, narguilés e dispositivos eletrônicos para fumar (DEF), podem aumentar os riscos do agravamento do quadro pulmonar do indivíduo infectado. Os fumantes podem também ser mais acometidos por infecções respiratórias e por outros vírus e bactérias, estes são os principais alertas da Organização Mundial da Saúde (OMS). 

Nos Estados Unidos, segundo o Centers for Disease Control and Prevention, o número de estudantes de ensino fundamental e médio que usam cigarros eletrônicos aumentou em 1,8 milhão em apenas um ano – de 3,6 milhões em 2018 para 5,4 milhões em 2019. Estudos apontam que embora proibido o comércio dos “vapes” – nome que se popularizou, o termo abrange os e-cigarette, e-ciggy, e-pipe, e-cigar, heat not burn (tabaco aquecido), dentre outros, o uso, aumentou exponencialmente no Brasil, México e Costa Rica.

Conforme a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a comercialização, importação e propaganda de todos os tipos de dispositivos eletrônicos para fumar são proibidas no Brasil, por meio da Resolução: RDC nº 46, de 28 de agosto de 2009. Essa decisão foi pautada de modo preventivo, devido à ausência de dados científicos que comprovassem as alegações atribuídas a esses produtos.

Composição

A Sociedade Brasileira de Pneumonologia e Tisiologia realizou uma pesquisa onde foi constatado que a maioria dos cigarros eletrônicos utiliza propilenoglicol (gelo seco) para a entrega da nicotina, enquanto os cigarros aquecidos utilizam glicerol e as essências que “melhoram o sabor para os usuários” mas que são proibidas para uso inalatório. O aerossol destes dispositivos libera partículas finas (de baixo peso molecular) que representam riscos para danos respiratórios e vasculares.

Estudos do INCA detectaram que o número de partículas é influenciado pelo conteúdo de nicotina e pela duração da tragada, e que os níveis mais elevados de partículas foram gerados pelo cigarro eletrônico que contêm maior concentração de toxinas.

Efeitos

De acordo com a pesquisa publicada no News England Journal of Medicine, quando as variadas substâncias químicas dos vapes são aquecidas, o fumante traga uma mistura de álcoois e aldeídos tóxicos, junto com a nicotina.

Além disso, os dispositivos atingem temperaturas entre 300 a 400ºC, o que leva a uma combustão incompleta das substâncias, com liberação de carbonilas altamente tóxicas para o organismo. A inalação desses componentes químicos pode gerar quadros de asma, por exemplo.

Já existem dados sobre os efeitos de curto prazo do uso do cigarro eletrônico: diminuição da função pulmonar, maior risco de eventos cardiovasculares, como infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e aumento do risco de crise anginosa, além de danos ao sistema imunológico. Há relatos, ainda, de maior incidência de convulsões entre os adolescentes usuários.

Segundo as pesquisas acima, que relatam alterações significativas no parênquima pulmonar de usuários de vaporizadores, é importante salientar que, devido a essas alterações pulmonares prévias, os usuários de cigarros eletrônicos, narguilé e vapor, podem desenvolver quadros mais graves de insuficiência respiratória , em casos de contaminação com a Covid-19.

A ACBG Brasil conversou com o médico cirurgião de cabeça e pescoço, professor da Universidade Estadual do Amazonas (UEA) e comentarista de saúde da CBN Amazônia, Jefferson Medeiros. Acompanhe o podcast sobre os principais malefícios dos vaporizadores e cigarros em tempos de Covid-19.

Outro grande perigo são as fake news, de acordo com estudos da Reuters Institute Digital News de 2019, 53% dos brasileiros usam WhatsApp como fonte de de informação, contra 6% da Austrália, 4% do Canadá e 4% dos Estados Unidos. No Brasil, há, portanto, uma forte influência das “falsas positivas informações”. Informações enganosas como a que inalar o fumo previne o coronavírus ou que o gás liberado pelos “vapes” mata o vírus. Portanto, é essencial buscar informações confiáveis e combater o compartilhamento de notícias falsas. 

Para quem deseja parar de fumar, o Sistema Único de Saúde (SUS), oferece tratamento gratuito, disponível em Unidades Básicas de Saúde do país.

DICAS – 10 passos para parar de fumar:

  1. Tenha determinação 
  2. Marque um dia para parar
  3. Corte gatilhos do fumo
  4. Escolha um método: abrupto ou gradual
  5. Encontre substitutos saudáveis
  6. Livre-se das lembranças do cigarro
  7. Encontre apoio de amigos e familiares
  8. Escolha a melhor alimentação
  9. Procure apoio médico
  10. Troque experiências em um grupo de apoio

Fonte: Instituto Nacional do Câncer (INCA)

Dica de Documentário

Desserviço ao Consumidor – Esta série documental mostra que a propaganda enganosa e a negligência na produção de produtos populares podem ter consequências gravíssimas. O cigarro eletrônico, criado para adultos, está fazendo com que muitos adolescentes fiquem viciados em nicotina. E quem ganha com isso é a indústria do tabaco.

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