No dia 9 de agosto de 2018, parte dos integrantes do Coral Cantarolar da ACBG Brasil se encontraram no Aeroporto Hercílio Luz, em Florianópolis. A convite do AC Camargo Cancer Center, os cantarolantes do coral de pacientes laringectomizados estavam a caminho de São Paulo, para participarem do 2º Encontro Nacional dos Laringectomizados Totais.

Celso, Enilda, Odalino, Melissa, Luiz e Fabiane se encontraram pontualmente às 16h no aeroporto. A margem para atrasos não foi necessária, estavam todos ansiosos pelo o que estaria por vir.

No café que tomavam juntos e que antecedia o voo para São Paulo, nenhum dos seis integrantes imaginava a mistura de sensações pelas quais viriam a passar. Não imaginavam que, apesar de tudo, os laringectomizados têm voz sim, e que ela ecoa forte quando se unem.

No trajeto do voo de Florianópolis para São Paulo tudo ocorreu bem, fora o tempo que, parecendo saber da ansiedade de todos para a chegada, passou demasiadamente devagar.

O hotel onde o Cantarolar se hospedaria é localizado no bairro Liberdade, conhecido por ser o reduto dos imigrantes do oriente em São Paulo, principalmente dos japoneses e coreanos. As diferentes decorações da rua, do hotel e do restaurante onde o grupo foi jantar recebiam os olhares curiosos dos integrantes. O cardápio japonês, apesar de primeiramente ter causado um estranhamento, agradou a todos, que comeram sem hesitar. “Se está todo mundo quieto é porque está bom, né?” comentou Fabiane.

No dia seguinte, às 6h28 da manhã o paciente Celso encaminhava mensagem avisando que já estava no café da manhã do hotel, ansiosamente animado para o evento. O próprio café do hotel foi um espaço para encontros, reencontros, “reabraços”. Os pacientes dos outros grupos de corais também estavam hospedados lá. Natal, Rio de Janeiro, Chapecó e Florianópolis se cumprimentaram afetuosamente, num sinal de união e boas- vindas.

Chegando no AC Camargo Canter Center, foi dado o início a uma manhã repleta de conhecimento. As fonoaudiólogas e fisioterapeutas apresentaram painéis sobre respiração, olfato, pescoço e ombro. Houve espaço para discussões com a plateia composta por pacientes, familiares, profissionais da saúde, e acadêmicos de fonoaudiologia, que ouviam atentos às palavras dos profissionais.

Seguindo a programação, deu-se início à uma série de homenagens às vozes especiais. Dentre os homenageados estava Celso, nosso paciente, associado, gaiteiro, cantor, e amigo. Foi homenageado pelas calmas palavras de Luiz, o professor de música, por tudo o que é e por tudo o que representa para a causa. “Eu não sei o que seria de mim sem o Celso”, finalizou Luiz, acolhendo-o num apertado abraço.

Em seguida, houve depoimentos de alguns pacientes, incluindo o depoimento de nosso integrante Odalino, que fez questão de frisar que é possível, sim, enfrentar o câncer e reaprender a viver nessa nova fase da vida. Em seguida, deu-se início às apresentações dos corais. O coral Grandes Guerreiros do Oeste, de Chapecó, cantou dando ênfase à cultura sulina, cantando “Eu sou do Sul”. Foram seguidos do samba do coral de pacientes do INCA, do Rio de Janeiro, que animou toda a plateia. A apresentação do Cantarolar, foi acompanhada das palmas dos ouvintes, ao ritmo de Calix Bento.

A pausa para o almoço permitiu um passeio pela capital paulista, ensolarada e sutilmente gelada naquele dia de inverno. No retorno para o auditório do evento foi apresentado o painel que frisava os aspectos além da reabilitação, mostrando as possibilidades para os pacientes. Os profissionais falaram sobre a importância dos grupos de apoio, dos corais, do acompanhamento psicológico, e Melissa falou sobre a importância do papel da ACBG Brasil atuando nas diversas frentes, em prol da causa.

Os anfitriões da casa, o Coral Sua Voz, se apresentaram cantando junto com as fonoaudiólogas do AC Camargo, acompanhadas pelo som do violão da também fonoaudióloga e organizadora do evento, Elisabete Carrara. Durante a última música cantada, “Esperando na Janela”, houve espaço para a apresentação de dança de um casal de pacientes do coral.

Por fim, todos os pacientes, profissionais da saúde, familiares e colaboradores cantaram juntos a letra de “Canção da América”, de Milton Nascimento, que resumiu o sentimento de afeto e a vontade de reencontro de todos. A voz de todos juntos é mais forte, é mais alta.

“Que privilégio de vivência, e que momento raro” sintetizou Luiz, no aeroporto, já na volta pra casa.

Relato feito por Fabiane Becker Facco – colaboradora da ACBG Brasil.

 

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