Entre os dias 04 e 10 de dezembro de 2016 a ACBG esteve presente no encontro Latino Americano e Caribenho das lideranças que atuam no controle do tabaco. O encontro aconteceu em Santiago, capital do Chile, e foi uma experiência incrível estar entre mais de 60 pessoas que lutam com afinco em prol de um mundo sem tabaco. Havia pessoas de institutos de pesquisa, organizações sociais, jornalistas e muitos representantes do governo, o que evidenciou a importância de focarmos nos líderes que podem fazer mudanças estruturantes por meio de políticas públicas dentro do governo. Aliás, líder foi a palavra chave deste encontro. Ficou claro o quão importante é formarmos líderes corajosos e competentes para lutar contra o tabaco, visto a força que a indústria tem. Não devemos nos orgulhar apenas do que já fizemos de bom nesta área, mas pensar como mudarmos nossas práticas para que façamos ainda melhor. Para isso precisamos de líderes. Ainda mais quando os problemas se espalham mais rápido do que as soluções.

Aprendizados

As palestras foram muito focadas nas experiências que estão dando certo ao redor da América Latina e Caribe e os desafios que ainda temos por enfrentar. Muito se falou sobre a importância do aumento de impostos para reduzir o consumo do tabaco, da necessidade de avançarmos na aprovação de leis para padronização dos maços de cigarro, da proibição do fumo em locais fechados (que embora já esteja aprovada em muitos países, há pouca fiscalização), da proibição da produção de tabaco (tudo que que é consumido em alguns países é importado – Panamá é um exemplo disso) e da necessidade de realocar os produtores de tabaco em outras culturas, não afetando a economia das famílias e do país. O encontro também mostrou que trabalhar com educação e conscientização é algo importante porém difícil de mensurar os resultados e pode levar anos para que surta algum efeito. Agora, medidas mais coercitivas e duras (novas políticas públicas, aumento de impostos e restrição de publicidade) tendem a dar mais resultado. É uma pena que ao mesmo tempo em que o aumento de impostos parece ser a opção com resultados mais rápidos, também representa uma incerteza de como o dinheiro será usado. Há quem diga que o que o governo arrecada com impostos do tabaco é duas vezes menor do que o gasto em saúde para tratar das doenças geradas no Brasil. Sem contar a ineficiência no uso de recursos que estamos observando em nosso país. Outro ponto muito discutido no encontro foi a falta de vontade política por parte dos nossos governantes, que não enxergam esta agenda do controle de tabaco como prioridade. Sem contar que embora muitas leis existam, diversas não são cumpridas e/ou apresentam brechas. Isso ressalta que o papel da sociedade civil não termina com a aprovação de alguma lei, devemos fiscalizar sua aplicação constantemente e sugerir melhorias.

Desafios

Talvez você não saiba, mas de acordo com informações da OMS 6 milhões de pessoas morrem por ano em decorrência do tabagismo. Nos Estados Unidos, por exemplo, o tabagismo é considerado uma epidemia, já que 3 em cada 10 mortes por câncer no país têm relação com o uso de tabaco.  No Brasil, o tabagismo é considerado uma doença pelo Ministério da Saúde, tanto é que existem códigos no Sistema Único de Saúde – SUS, específicos para o seu tratamento. Nós que lidamos com pacientes acometidos com o câncer de laringe temos ainda mais razões para lutar contra o tabaco, visto que 97% deste tipo de câncer é causado devido ao uso de tabaco. Algo que poucos sabem também é que o Brasil é o segundo maior produtor de tabaco do mundo (só perde para a China). De toda nossa produção, exportamos 88%, o que envolve mais de 150 mil famílias nesta cadeia produtiva. Evidente que incentivar que os agricultores façam a transição da cultura do tabaco para outros produtos é um desafio e tanto para nosso país, não podemos simplesmente encerrar a produção de forma abrupta pois muitos serão prejudicados. Tudo deve ser pensado.

Veja outros desafios:

  • tirar o cigarro de locais muito visíveis, como o de balas e chocolates que as crianças enxergam no caixa;
  • proibir o uso das embalagens exuberantes, que chamam a atenção do usuário;
  • proibir aditivos ao cigarro (gostos e aromas);
  • estabelecer que um porcentagem da venda de cada maço de cigarro deva ir para um fundo de saúde.

Para esses e outros desafios precisamos nos unir. Por isso, conte com a ACBG para construirmos um mundo sem tabaco. Estamos abertos para qualquer sugestão de parceria, projeto e ações. Somente unidos poderemos desmantelar todos esses males em nossa sociedade.

Deixamos registrado nosso agradecimento imenso à ACTbr que nos recomendou para a Tobacco Free Kids, que por sua vez nos recomendou para os organizadores deste encontro (JHSPH Global Tobacco Control Leadership Program e Universidad Adolfo Ibáñez) que por fim nos fizeram o convite para participar. Prometemos retribuir com muitas ações positivas para a sociedade brasileira.

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