Fisioterapia: uma grande aliada da reabilitação da voz

A laringectomia total provoca significativas modificações no paciente, em especial na respiração e na fonação. As alterações podem envolver alterações físicas, comprometendo em maior ou menor grau a imagem corporal e funções vitais como a deglutição e a mobilidade do pescoço podendo resultar em dor, alterações posturais e dificuldades em desempenhar tarefas do cotidiano.

Dentre essas sequelas a perda na capacidade de comunicação pode comprometer a qualidade de vida dos pacientes e requer um trabalho de reabilitação vocal bastante intenso. Existem várias formas de comunicação que podem ser utilizadas pelos pacientes laringectomizados totais, entre elas a comunicação escrita, a fala bucal, a voz traqueosofágica, a voz esofágica e a voz utilizando a laringe artificial.

A voz esofágica é produzida pelo ar que ao penetrar na boca atinge a porção alta do esôfago e ao ser expulso faz vibrar as paredes do mesmo, emitindo som.

Já a laringe eletrônica produz o som pela vibração da membrana de um cilindro de metal movido a pilhas, que ao ser colocado externamente na porção lateral do pescoço ou da bochecha, e ali mantido durante o tempo em que o indivíduo estiver falando, ampliará de forma audível os movimentos articulatórios sem som feitos pelo paciente.

Considerando as alterações sofridas no aparelho fonador e na musculatura cervical de pacientes laringectomizados totais que se comunicam por meio da fala esofágica e de laringe artificial, o objetivo da fisioterapia é proporcionar maior qualidade de função muscular dos esternocleidomastóideos, paraespinhais cervicais e trapézio superior a fim de favorecer o comportamento dos músculos cervicais, além de controlar a limitação cervical e alteração postural no padrão de ativação muscular.

A principal alteração postural observada nos pacientes Laringectomizados é a anteriorização da cabeça. A presença da dor é outro fator comum e que compromete a reabilitação do paciente pelo mecanismo de proteção, resultando em encurtamentos musculares e consequentemente alterações posturais, em especial na cabeça e ombros.

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De pé ou assentado, desloque a cabeça gradualmente para frente levando o queixo ao peito até que o alongamento seja sentido nas costas ou no pescoço.

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Em pé, mantenha os braços estendidos ao lado do corpo. Olhando para a frente, leve os dois braços para trás, sem forçar, e olhe para o teto. Permaneça por 60 segundos e retorne à posição inicial, soltando bem os braços.

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Com a mão direita, segure a cabeça do lado esquerdo, empurrando-a em direção ao ombro direito. Fique nessa posição por 60 segundos e retorne, devagar. Repita do outro lado. Os ombros não devem se mexer e você deve sentir o pescoço alongar.

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Agora, na mesma posição, abaixe os braços e faça pequenos círculos com o pescoço, girando-o para um dos lados, 60 segundos. Depois, repita o mesmo movimento no outro sentido, pelo mesmo intervalo de tempo. Faça o movimento lentamente.

Vale lembrar da constante presença de Linfedema em face e pescoço, por conta dor esvaziamentos linfáticos cervicais, e portanto, da necessidade de manter a prática das Drenagens Linfáticas Manuais, sempre realizadas pelo Fisioterapeuta Especializado. Quanto menor a quantidade de edema, mais eficaz acontecerá a vocalização.

Veja o antes e depois da drenagem:

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Outra limitação importante à fala ocorre em virtude das aderências teciduais advindas das fibroses provocadas pela Radioterapia. Alongamentos já citados anteriormente e o uso do Linfotaping auxiliam na liberação miofascial, ou seja, na soltura da pele e tecidos adjacentes, permitindo maior vibração das estruturas do pescoço.

Veja:

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Referências

Imagens dos alongamentos – Demais fotos são do acervo da autora

Luana Dias de Oliveira – especialista profissional em fisioterapia oncológica\

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